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:: “As Boazinhas", em Itapetininga, mostram como se faz filantropia.
Publicado por AG Empreendimentos [AG] em 01/2/2008 (428 leituras)
Com pequenas doações, mulheres demonstram a força do trabalho em união.


Maria Antonieta Bueno Vieira de Camargo, mais conhecida em Itapetininga como "Nêta Bueno", conseguiu em quatro anos mostrar como é possível mudar a realidade de uma comunidade inteira partindo de um ato isolado, de uma decisão individual, e o melhor, que qualquer pessoa pode ajudar o próximo.

Em 2000, ela fundou o grupo chamado "As Boazinhas", composto inicialmente por 25 mulheres dedicadas em apoiar entidades assistenciais da cidade. Hoje, elas são 300 e ganharam importância fundamental na manutenção de muitas obras sociais. O mais interessante do grupo é de que dentro dele as pessoas não têm sobrenome, justamente para descaracterizar qualquer vínculo social ou religioso. Aqui todas são Boazinhas. “Pode chamar que qualquer uma irá atendê-lo", afirma Nêta Bueno.

A fundadora relembra que o grupo surgiu no dia 25 de julho de 2000, numa terça-feira, quando ela convidou 25 amigas para se reunirem em sua casa. "Eu liguei para as 25 e pedi que viessem até a minha casa naquela terça-feira, trazendo dois pacotes de fralda de bebê", recorda-se. "Todas perguntavam se era meu aniversário ou alguma data especial, mas eu não disse nada. Só pedi que viessem e trouxessem as fraldas", conta ela com alegria. Nêta Bueno orgulha-se em dizer que todas atenderam ao chamado 50 pacoles de fralda, todos encaminhados para a enfermaria da maternidade da cidade.

E depois disso o grupo não parou mais. As 25 amigas reuniram-se na última terça-feira de cada mês pelo período de um ano, ajudando uam entidade diferente a cada encontro. Quando completamos um ano, já havia outras 125 mulheres interessadas em se tornar Boazinhas, o que fez o grupo aumentar para 150 integrantes. As Boazinhas foram divididas em grupos, que se encontram nas últimas segundas, terças, quartas e quintas-feiras de cada mês. Aos poucos, novas integrantes foram chegando e hoje somam 300.

Nas reuniões elas sorteiam os nomes das entidades que serão beneficiadas no próximo mês, sempre respeitando o critério deque uma mesma associação não seja repetida antes que toas as 42 entidade assistidas recebam seus donativos. “Durante o encontro nós definimos também qual é a principal necessidade da entidade, e todas as Boazinhas trazem o mesmo produto, na mesma quantidade”, comenta. Vale lembrar que o grupo não recebe doações em dinheiro e todos os produtos a serem comprados pela mulheres não podem, em hipótese alguma, ultrapassar o limite de R$ 5,00.

Sem sobrenome

Nêta Bueno orgulha-se em dizer que no grupo as mulheres não têm sobrenome. “Aqui não tem família tradicional”. Todas são Boazinhas, desde a mulher do pedreiro até a mulher do desembargador, afirma a fundadora. Segundo ela, só existem em seu cadastro os nomes das mulheres, suas datas de aniversário e telefones. “É só para poder ligar para elas no dia do aniversário, diz Dona Nêta. Até hoje, desde a fundação, todas as reuniões das Boazinhas acontecem em sua casa, que está sempre aberta para receber pessoas de bom coração.

Além da programação de atendimento às entidades, as Boazinhas também agem em casos especiais, quando solicitadas. O último exemplo foram as enchentes do mês passado, quando dezenas de famílias ficaram desabrigadas. “O Fundo Social me ligou dizendo que precisava de fraldas. Eu expliquei que estávamos em férias, mas disse que ia me mexer”, comenta. Nêta Bueno fez apenas um telefonema para a sua Boazinha (cada integrante do grupo tem uma), e em sistema de “corrente”, todas ficaram sabendo, providenciando 170 pacotes de fralda em menos de uma semana.

Próximas doações

Como o carnaval caiu na última semana de fevereiro, as Boazinhas adiaram o retorno das férias para o próximo dia 6, sábado, quando celebrarão também o Dia da Mulher. Neste dia estarão reunidas na casa de Nêta Bueno todas as 300 mulheres e mais os presidentes das entidades que receberão donativos neste dia. “O quintal da casa é grande. Tenho certeza que cabe todo mundo”. Provavelmente, maior que o quinta da casa só mesmo o coração da Dona Nêta Bueno.

Por Armando Rucci Filho

Jornal Cruzeiro do Sul - 28/02/2004

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